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A Casa da Cabrita

A Casa da Cabrita

Para além do meu blog ter sido Destaque na página da Sapo, também foi partilhado na página de Facebook da Sapo e tive mais visualizações do que sequer poderia imaginar. Sinto-me pequenina, mas uma pequenina muito agradecida. Eu comecei a escrever este blog como maneira de me sentir mais perto das minhas pessoas, enquanto vivo temporariamente na Alemanha. E nunca poderia imaginar este pequena casa a chegar a tantas. 

Genuinamente divirto-me a divertir, e só de pensar na possibilidade de ter divertido 10% das mais de 3000 pessoas que passaram pelo blog na Quinta, põe-me o maior sorriso idiota na cara. 

Muito, muito obrigada!

 

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Depois de toda uma aventura para conseguir arranjar voo para Estocolmo (ver aqui), finalmente estava dentro do avião. O avião nem ia lotado. Eu ia à janela, o lugar do meio estava livre e havia um senhor no lugar do corredor. Estava bastante ensonada, com um episódio de “Grace and Frankie” à minha frente e prontíssima para um voo de 1h30.

A meio da viagem, as hospedeiras começaram a oferecer bebidas. Eu, que até ando a tentar reduzir os refrigerantes (nos dias de hoje, fica sempre bem deixar a dica que tento ser fit), achei que merecia um miminho, tendo em conta o stress do dia anterior, e pedi uma cola. O senhor do corredor pediu café. Eu recebi a minha cola primeiro. No exacto instante em que a hospedeira dá o café ao senhor e em que eu ia dar um primeiro golo muito desejado, há todo um espectáculo de turbulência, e 10 segundos passaram a ser 3 anos, tamanha quantidade de eventos. Em câmara muito lenta, a hospedeira caiu desamparada no corredor, o senhor conseguiu despejar o café na barriga e virilha e eu... bem, eu ajudei e despejei a minha cola em cima do senhor. Internamente, o pânico instalou-se. Eu não me podia rir, eu não podia mesmo rir! Pensar em cãezinhos mortos, cobras nos meus pés, a crise portuguesa, Benfica a ganhar o campeonato! E este diálogo, algo que eu achei que nunca iria ouvir, muito menos num avião, aconteceu mesmo ali, debaixo do meu nariz:

 

(Hospedeira, a partir do chão): “Tire as calças, tire as calças, vai queimar! Senhor, tem que tirar as calças!”

(Senhor visivelmente aflito): “Ai, ai que ‘tá quente. Mas não vou tirar as calças!”

(Hospedeira ainda a partir do chão, coitadinha ninguém a ajudava): “Tire as calças, tire! Vai queimar!”

Eu: “Posso ajudá-lo?”

 

Se calhar a minha intervenção não foi a melhor. E, muito provavelmente, a minha boa intenção pode ter sido levada por outros caminhos. Acabou com o senhor a não tirar as calcas (mas abriu a camisa, upa upa).

Lição a retirar: refrigerantes só fazem mal. Se não à pessoa que o bebe, muito provavelmente ao vizinho do lado.

Há cerca de um mês, visitei Estocolmo com umas amigas. Marquei o voo da  AirBerlin em Dezembro, tudo certinho. Ir na Sexta e voltar no Domingo. Um fim de semana pequenito mas muito desejado. O que não estava nos planos era o meu voo de ida ser cancelado na véspera. E cancelado da maneira que foi. Recebi um email a dizer "O seu voo de amanhã foi cancelado. Lamentamos o incómodo.“. Só isto. Nem como é que eu poderia resolver a situação, nem formas de reembolso. Depois do pânico inicial, e de perceber que ligar para o call center era uma perda de tempo, fiz uma mochila de sobrevivência, com as coisas básicas que poderia precisar durante o fim de semana, e fui para o aeroporto. Tão ingénua e querida, e como desconhecia que a razão do cancelamento era uma greve de técnicos de pista, achei que o problema ia ser facilmente resolvível. Resumindo: tive 6 horas no aeroporto numa fila interminável para os serviços da AirBerlin e consegui um voo de substituição.

 

Portanto a história tem todo um final feliz, sim senhora. Mas e aquelas 6 horas na fila dos serviços da AirBerlin? E toda aquela socialização espectacular com pessoas (muitos delas alemãs) chateadas e resmungonas? E o comportamento animalesco de grande parte delas? Nada temam, 6 horas deram-me, de facto, tempo de criar uma lista mental do tipo de pessoas em filas:

 

  1. Os que tentam travar amizade. Depois de 1 hora numa fila sentimos que já conhecemos muito bem, no mínimo, a pessoa à nossa frente e a atrás de nós. Mas depois há aquelas pessoas que querem literalmente conhecer uma pessoa. Começam com afirmações banais do género "Estas filas... As coisas que eu poderia estar a fazer agora“. A pessoa calha no erro de responder com um sorriso e um "Pois“ vago e eles já estão a perguntar quantos sobrinhos netos tem a vizinha da avó.

  2. Os que não sabem o que é espaço pessoal. Já é desagradável estar aquele tempo todo de pé. Passar o peso de uma perna para a outra, mexer os joelhos, tentar não espreguiçar o corpo todo para não termos toda uma imagem da mãe a dizer "MAS ESTÁS EM CASA OU QUÊ?“. Para animar, só falta mesmo ter uma pessoa colada a nós. Ali, a respirar em cima de nós, aquele quentinho dióxido de carbono a aquecer o pescoço. A não ser que sejam o Brad Pitt ou o Sérgio Ramos, não sejam esta pessoa.

  3. Os que formam buracos. Pessoas, estar numa fila é muito simples. A fila avança, nós avançamos com ela. Eu sei, eu sei. Há apologistas da lei de menor esforço: "Se a pessoa à minha frente só se mexeu 20cm, vou esperar mais um bocadinho e na próxima vez eu já me mexo 40 cm.“ Mas e os buracos, senhores? Mais ninguém sofre mentalmente com aqueles buracos que se formam no meio da fila? Apetece chegar lá, empurrar a pessoa e dizer "Bom dia!“. 

  4. Os alheios ao óbvio. Tínhamos pessoas numa fila que começava no balcão de serviços da AirBerlin e acabava a duas estações de autocarro do aeroporto. E ainda assim, com o óbvio mesmo escarrapachado, apareciam sempre umas alminhas brilhantes a questionar "Estão na fila para os serviços?“. Não, senhores, estamos em promessa no aeroporto, porque não há coisas melhores para se fazer a uma quinta à tarde.

  5. O "Vou só ali fumar um cigarrinho, volto já“. Devo admitir que é uma técnica de génio. E, pelo tempo que demorou, o senhor foi fumar o cigarrinho, entregar aquele relatório de contas que já estava atrasado, buscar os filhos à escola, dormir uma sestinha e depois fumar outro cigarrinho, porque já merecia, afinal foram 4 horas sem fumar.

  6. Os "Tive que trazer os meus filhos comigo“. Eu não tenho filhos, mas tento compreender. Realmente ter um filho à espera connosco pode ser chato. Se eu sozinha já estava a desesperar e a querer chorar no colinho da mãe, nem quero imaginar com um puto a berrar "EU QUERO IR EMBORA“ esbardalhado no chão a tentar substituir uma esfregona (das boas). 

  7. Os "Vou filmar isto no telemóvel, colocar nas redes sociais e fazer queixa“. Na sociedade dos dias de hoje é muito raro não haver imagens de qualquer acontecimento, seja ele mais ou menos importante. Agora, uma fila de pessoas desagradadas com uma greve é assim tão relevante? Mais importante, será assim tão necessário guardar para a posteridade a minha cara de cão, com olheiras até ao joelho e todo um cabelo apanhado num rabicho oleoso? Não é senhor, olhe que a fila não anda mais depressa.

  8. Os que aparecem do nada. Ao fim de algumas horas em pé, começam as alucinações. Toda a gente está cansada, toda a gente quer ir embora, toda a gente quer que as pessoas à sua frente tenham algum tipo de emergência e arredem pé. E de repente, damos por nós a questionar se aquela pessoa que está mesmo perto de nós sempre esteve ali. Será que acabou de furar? Mas tem um ar tão cansado... Não, tenho a certeza que nunca vi aquela cara nas últimas horas! Mas está ali tão confortável, alguém já tinha reclamado se ela tivesse furado... Vou reclamar, isto não pode ser assim! Mas não sei falar alemão... Eventualmente uma pessoa desiste deste dilema pessoal e aceita que vai criar raízes naquele sítio.

  9. Os "Vou só ali fazer uma perguntinha“. Ah, os meus favoritos. Os chicos espertos dos chicos espertos.  Os idiotas que só precisam mesmo de uma pequenina informação. Que vão demorar 10 segundos, porque é mesmo uma coisinha rápida. Até aposto que é uma perguntinha de Sim ou Não. Aquelas pessoas às quais queremos dizer "Vai passear“ mas nem temos tempo. Que nem cobras, já rastejaram, ultrapassando toda a gente, e já estão a sorrir para a pessoa do balcão. Um sorriso aberto e simpático de quem só quer fazer uma perguntinha rápida, ficar lá 30 minutos, despachar o seu assunto e quiçá falar um bocadinho sobre a vida, porque não existem mil pessoas a imaginar facas cravadas nas suas costas.

 

Pois é. 1 mês e meio sem meter aqui os pézinhos. Fui uma má (quase que) blogger, eu sei. Mas a minha vida tem sido dura. Duríssima, por sinal. É que isto de receber visitas, dar um saltinho a Estocolmo (passando por Frankfurt, mas isso é outra história), ir à Grécia e estar já de malas aviadas para Barcelona, tem muito que se lhe diga. Aos que se questionam "Mas a moça trabalha?" a resposta é: Sim, trabalho e tem estado tudo a correr muito bem! Até um bocadinho demasiado bem, mas se resultar, eu anunciarei aqui. 

 

Resumindo muito resumido tudinho:

 - Os meus pais não fizeram mais disparates em Berlim. Houve todo um esforço, mas nada superou o roubo de café. 

 - Para ir para Estocolmo ter com as miúdas mais giras, tive que ir a Frankfurt porque o meu voo de Berlim foi cancelado. Todo um stress que nem é bom relembrar, mas fui e Estocolmo recebeu-me de braços abertos. Vi o barco gigante (ERA MESMO GIGANTE), vi os vestidos de noivas da rainha e princesas e comi um dos melhores hambúrgueres de sempre. Tudo isto com a companhia das galinhas. Não podia ter pedido melhor.

- Adorei a Grécia. Atenas é uma cidade feiosa mas tem sítios muito muito bonitos. Conheci pessoas espectaculares de toda a Europa (e até do Canadá!) que já ganharam um espacinho neste coração. É mesmo muito bom quando, de forma completamente aleatória, acabas por conhecer pessoas tão especiais. 

 

E é isto. É pouquinho, mas depois de ouvir tantas queixas e tantos "Mas estás mesmo bem??", tinha que cá vir acalmar a multidão (constituída pela minha mãe e tia). Prometo contar certos episódios (cómicos, claro está) com mais pormenor mal páre um bocadinho no mesmo sítio!! 

Os meus pais chegaram ontem a Berlim. O voo deles chegou adiantado e eu já ia atrasada. Como tal, ao avistar um casal a vir na minha direcção perto do terminal deles, levantei os braços e gritei "HEY, BEM VINDOS A BERLIM". Não eram eles, mas espero que o tal casal se tenha sentido muito bem recebido. Mas, mesmo fazendo eu esta figura, a minha mãe conseguiu superar todas as expectativas. 

 

Hoje foi dia de irmos ao Maeuer Park para a feira de artesanato. Ou parque de diversões, para a minha mãe. Mas, como bons portugueses, não há compras de tralhas sem a barriga cheia. Tirem-nos os subsídios todos, mas a bucha não. Fomos a uma roulote e pedi 2 chocolates quentes, um para a minha mãe e outro para o meu pai. Não me apetecia muito um chocolate quente porque o meu pensamento já estava a fixar a Nutella com crepe da roulote ao lado. Ao mesmo tempo, um alemão pediu o seu cappucino. O rapaz da roulote fez as 3 bebidas ao mesmo tempo e, ao terminar, dispôs as bebidas no balcão. A minha mãe, a primeira pessoa que disse que queria um chocolate quente, a única pessoa que me ouviu a fazer o pedido e a pessoa que ia pagar os dois chocolates quentes, não vai de medidas, pega no cappucino do alemão e dá um senhor golo. Mas nem ao saborear (com gosto e um quase "ah" de prazer) ela se apercebeu que o sabor era café. Aliás, foi até eu dizer "Mãe..... o que é que estás a fazer?" que ela caiu na real. 

O meu primeiro pensamento foi "Se calhar o alemão não reparou, vamos fugir...", mas, olhando de esguelha para ele, dava para perceber que tinha os olhos vidrados no pescoço da minha mãe. Comecei-me a rir muito, o que não ajudou. O rapaz da roulote foi querido, ofereceu-nos o café. Lá no fundo, o homem alemão também foi querido. Teve a capacidade de controlar a sua veia alemã e ficou calado. Nem piou. Mas se olhar matasse, o meu pai já era viúvo. 

 

Para primeiro dia, não correu muito mal. Ela só roubou um café. Portanto neste momento está Mãe 1-0 Pai. Vamos lá ver como o Paulo responde a este avanço surpreendente da Carmo. 

 

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Muita coisa, surpreendentemente. Inscrevi-me em aulas de fitness da universidade porque:

a) têm um preço muito decente.  Aquele barato motivador do género "Epá, se eu me fartar disto, há coisas piores do que perder x€". Mas continua a ser dinheiro portanto a fantasia do "NÃO VOU FALTAR A NENHUMA AULA" mantém-se.

b) esta cabrita vai para a Grécia daqui a menos de um mês e gostava de não ir com excesso de bagagem (perceberam a piada subtil? Eu tenho fé que sim).

Inscrevi-me em Zumba e numa coisa que se chama Body Shape. E hoje lá fui eu para a aula de Body Shape. Expectativas? Nenhumas, porque o site estava todo em alemão. Esperanças? Ser algo girinho, mexer o corpinho, mas nada de loucuras. A aula é toda em alemão, todo um vocabulário que eu não percebo. Observando as coleguinhas percebi que precisava de um step. Pronto, ok, sobrevivo a subir e a descer isto 50 mil vezes. Depois, vejo-as a ir buscar caneleiras de 3kg e pesos de 2kg...... já falámos melhor. Não dei parte fraca. Devia.

Começamos num marchar ritmado que nem soldados. Música a bombar a altos berros, que a malta que faz desporto é toda surda. Depois a professora começa a guinchar umas coisas em alemão. E foi aí que reparei que era a única não falante de alemão. Aí não, nos 10 milisegundos depois em que a turma toda foi para um lado e eu para o outro. Tranquilo, ninguém reparou, quem nunca se enganou uma vez? No meu caso todas as vezes. Até na porcaria dos alongamentos comecei pela perna errada.

Eu já sabia que os alemães eram competitivos, mas tinha impressão que numa aula de fitness não havia grande espaço para competições. Se não há! Se eu estava mais agachada (provavelmente de dor) que a minha colega do lado, era ver a moça a calcular matematicamente qual era o ângulo que o seu bumbum tinha que fazer para estar mais agachada que eu. Acho que a pobre coitada ainda não compreendeu a minha vantagem. Com um rabinho como o meu, é a gravidade que faz o trabalho todo, não os músculos da perna. 

Houve um momento de compaixão em que a professora tentou-me explicar-me algo. Tão querida, notou que eu não entendi nada do que ela disse. O que fez? Falou mais devagar e aos berros. Porque isso realmente era o que ia tornar tudo compreensível, não é verdade? "PORQUE. SE. EU. FALASSE. COM. ELA. ASSIM. DE. CERTEZA. QUE. PERCEBIA. TUDO."

Parte mais gira disto tudo, a professora fazia muito discursos e eu, que sei mais verbos do que vocabulário, fui pescando coisas do género (sendo Pi é tudo aquilo que eu não percebo): "Pi vamos pi pi e pi, pi relaxar o pi, não devem sentir o pi. Aconselho a pi pi e pi." Eu admito que houve todo um exercício em que não me doeu nada, mas senti o sofrimento dos colegas. Ou sou muito forte, ou inventei todo um exercício muito mais agradável de fazer. Sempre fui muito idiota. 

E retirei isto tudo só da primeira aula de Body Shape. Promete. 

 

A nossa anfitriã de Copenhaga (Nes Linda, para os amigos) preparou um lombo de porco mesmo muito bom para um dos jantares. Mas tão bom que, ainda hoje, penso nele. E penso tanto (ou apetece-me trabalhar tão pouco) que resolvi escrever-lhe uma ode. Aqui vai:

 

Lembro-me da primeira vez que te vi,

dentro do vácuo, reconchudinho.

Até me comovi

e pensei: "ai que pitéuzinho"

 

A Inês esqueceu-se de te temperar.

E, quando chegámos a casa, 

corri para a cozinha, até o banho ignorei.

Tudo para dizer "Ah! Desta vez eu ajudei!"

 

Sal, pimenta, alho em pó e oregãos 

Despejei tudo com muito amor!

Depois a Inês espalhou com as mãos.

Claramente, assumi o papel de supervisor. 

 

No forno tive que te virar,

e a Inês só deu uma instrução: 

20 minutos esperar,

e tentar não te deixar cair no chão.

 

Quando nos sentámos à mesa

eu mal me conseguia conter.

Exclamei "Eu nem preciso de sobremesa!!

Depois deste lombinho, já posso morrer"

 

Só me resta à Inês agradecer,

por te ter escolhido no supermercado.

Amiga, volto já a correr,

só para comer mais lombinho ao teu lado!

 

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Só tirámos foto no jantar do lombo, ai não.

 

 

 

 

E chegámos ao último dia. Que coisa triste, não dá para ficar mais um mês?

Não sei se há muita gente como eu, mas quando pensava em Copenhaga, pensava em Pequena-Sereia. Toda aquela coisa da estátua ao pé do rio, em cima das rochas. Wow. Então, meus amigos, vamos lá à verdade: aquilo é literalmente uma estátua pequenita, longe de tudo e rodeada de turistas. Acho que o momento wow foi mesmo quando consegui que me tirassem uma foto sem pessoas à minha volta. Estivémos lá uns 10 minutos se tanto. Mas pronto, fomos. Ninguém pode dizer o contrário. E aqueceu-me um bocadinho o coração quando mostrei a foto ao meu pai e ele disse "Em 1987, tirei uma fotografia exactamente no mesmo sítio". Awwwww.

De seguida, fomos à Christiania. Tudo o que a Inês sabia era que era uma espécie de aldeia, onde viviam pessoas que queriam tornar aquela zona independente do estado dinamarquês. Também sabíamos que era onde se vendia droga ilegalmente legal. É uma zona muito alternativa, muita coisa chamada arte por uns, chamada estranho por mim. Se calhar aquilo no Verão, ao som de música e tal, é mais agradável. Mas no Inverno é realmente muito estranho. Há uma rua, a tal onde vendem a droga, onde nos olham de baixo a cima e é só... novamente estranho. Apesar de, supostamente, o espirito ser de liberdade, união e amor, tais sentimentos não passaram para mim.

Depois, eu e o Filipe tivémos de seguir para o aeroporto, não antes de dar um abraço bem apertadito à melhor anfitriã do mundo (sem exageros) e ao Tomás (que é o melhor anfitrião da Alemanha, não sejas ciumento). No aeroporto, eu e o Filipe encontrámos uma equipa do Sporting. Como disse aqui: É Sporting até morrer, até na Dinamarca.

Voltava amanhã, adorei mesmo a cidade. A limpeza, a simpatia das pessoas, o ambiente calmo. Mais uma cidade para a lista "Sítios onde não me importava de morar". 

Até já, Copenhaga!!

 

 

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No mundo encantado da perfeição, nós iríamos acordar fresquíssimos às 9:30 e estar prontos a sair às 10:30 para visitar mais de metade das atRações principais. No mundo real acordámos às 10:30 assim de esguelha e estávamos apresentáveis para sair às 12.  A malta é forte! 

Começámos por visitar o palácio Rosenborg, o palácio de verão do Rei Frederico *inserir número romano aqui* ou Rei Cristiano *inserir número romano aqui*. Eu sei, eu sei, pago eu o dinheiro para não me lembrar dos factos todos, mas eis o que absorvi:

 - Houve muitos Fredericos e muitos Cristianos e não havia espaço para dúvida: um Frederico chamou ao filho Cristiano que chamou ao filho Frederico que chamou ao filho Cristiano. Bastante linear. 

 - Os pobres coitados não tinham uma genética espectacular ou então chatearam o pintor. Aquilo era com cada monstruosidade...

 - Eles tinham 3 estátuas de leões a "guardar" o trono. É Sporting até morrer, até na Dinamarca.

Para além destes 3 pontos, tinham quartos cheios de tesouro, tinham um grande salão de festas que empurrava o Urban a qualquer canto e tinha uns jardins lindos à sua volta (local para sessão fotográfica obrigatória). 

Depois do palácio seguimos para o Jardim Botânico para um pique-nique e para visitar a estufa. Só a Inês para pensar em hambúrguer duplo de frango para o almoço, porque afinal "não quero ninguém com fome!!!!" (ai a minha avó ia ficar tão orgulhosa). É que eu quase que voltei a deslocar o maxilar a tentar comer aquilo. Mas, com o frio e a fome que tínhamos, soube a pato, ai se soube. Tivémos azar e o jardim botânico (incluindo a estufa) fechou mal acabámos de almoçar, portanto não conseguimos visitar. Mas e que? Almoçámos em bom no jardim botânico, mais fino não há. 

Seguiu-se a ida à torre Taarnet. A Inês só avisou que era muito ventosa mas eu achei que ela estava a exagerar um bocadinho. Afinal quão mau poderia ser? Eu acho que nunca tinha levado com tanto vento na minha vida. E por todos os lados! Dadas as circunstâncias fomos muito eficientes. Vimos a cidade de todas as perspectivas, tirámos uma foto em cada e adeus que se faz tarde. 30/40 minutos na fila para 5 minutos lá em cima. Mas valeu muito a pena, Copenhaga é bonita e, com tudo iluminado, parece que nos está a dar uma abracinho aos olhos. Mas depois levamos com a chapada do vento para voltar à realidade. Não há cá ilusões de que ela quer uma relação connosco. 

Essa noite foi noite de ficar em casa, noite de jogos! Jogámos Beer Pong (as meninas ganharam, óbvio!), jogámos um jogo de tabuleiro que envolvia armas para destruir uns aliens (mas tenho mesmo impressão que ninguém sequer jogou a tentar atacar os aliens, que totós) e acabámos a noite todos a conversar. Sobre o que já fizémos, sobre o que vamos fazer, sobre um bocadinho de tudo e lá no fundo sobre um bocadinho de nada (esta saiu-me profunda). 

A nossa ideia era ficar em casa e aproveitar para descansar mais do que na noite anterior. Mas já só adormeci depois de ver as 4 da manhã no telemóvel. Afinal quem é que precisa de dormir? Copenhaga só lá estava durante mais 12 horas :(

 

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QUE MESA TÃO GIRA!!!

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Eu juro que tento resistir à tolice, mas há quadros que me provocam.

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É assim indescritível o quanto eu precisava de ir ter com pessoas que me conhecem bem bem. A quem dizer olá é tão fácil, e dizer adeus faz comichão. E foi o que aconteceu este fim de semana passado. Eu, o Filipe e o Tomás rumámos a Copenhaga para irmos ter com a Inês 1 (a do Barreiro, mãe!). Foi tão bom. Mas acho que vai ser perceptível o quanto eu adorei esta cidade e viagem ao longo deste(s) texto(s).

O meu voo para Copenhaga era às 7 da manha e, como tal, tive que acordar bem cedo para conseguir estar no aeroporto às 5:30. Experimentei um caminho novo (porque experimentar coisas novas às 4 da manha soa bastante razoável, não é verdade?) e descobri que moro a 17 minutos do aeroporto. Como assim nunca me tinha apercebido disto? 

O voo durou 40 minutos e foi a coisa mais rápida da vida. Eu sentei-me, levantámos voo, as hospedeiras tentaram vender comida e quando dei por mim já estavam a avisar que íamos aterrar. Eu sei que sou eu que sou tola, mas genuinamente esqueci-me que Copenhaga é perto do mar. Portanto quando estávamos a aterrar tive um mini ataque de pânico de 5 segundos a achar que estava no sítio errado. Vamos culpar as 3 horas mal dormidas.

Chegar a casa da Inês demorou mais que a viagem Berlim-Copenhaga, mas não me perdi graças às indicações da Inês (já disse que ela é linda e que foi a melhor organizadora de sempre??). Acordei o Filipe e o Tomás, e partimos à descoberta da cidade com o mega guia patrocinado pela Inês. Vimos o Amalienborg, a mudança de guardas, fomos ao famoso Nyhavn, fizémos um passeio de barco, almoçámos o típico McDonalds e acabámos o dia a correr uns bons 200m para apanhar a Carlsberg Experience aberta. Verdade seja dita, não aprendemos grande coisa sobre a Carlsberg. Mas vimos os cavalos nos estábulos, bebemos duas cervejas mesmo muito boas e fomos acompanhados por um gato, que muito provavelmente era a encarnação do senhor Carlsberg.

Nessa mesma noite fomos testar as discotecas dinamarquesas. E devo dizer que fomos claramente mal vestidos, pensámos em tudo menos nas cotoveleiras e joelheiras. É que eu nem sei como descrever. Nós não dançámos, nós apenas nos movemos de acordo com os empurrões que davam. Quando alguém queria passar por nós literalmente só empurrava. Um valente chega para lá. É que parecia mesmo que não existíamos. Raparigas a esfregarem-se em mim como se de uma parede se tratasse. Até assistimos a todo o percurso de um rapaz que vai à discoteca só para encontrar moça. Ele chegou e escolheu o seu alvo. Dançou à sua volta, tal e qual parada nupcial. Juro que quase que parecia que o pescoço dele estava inchado. A rapariga não lhe deu corda. O que ele faz? Sem problemas, escolhe outra. E isto durante umas 3 horas. Eventualmente encontrou a sua pombinha. Ficámos genuinamente felizes por ele, espero que tenha tido um dia de São Valentim espectacular. 

Depois da discoteca foi tempo de apanhar o autocarro. E no autocarro tive a espectacular realização: fiz uma directa. 24 horas sem dormir. Todo um bom presságio para um Sábado cheio de passeio. (Spoiler Alert: correu tudo bem.)

 

 

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(De notar o Tomás em modo Rose e eu e o Filipe lá dentro a fazer adeus)

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A foto favorita (e mais bonita!!!) do primeiro dia