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A Casa da Cabrita

A Casa da Cabrita

Devido à presença de um animal de grande porte nos meus aposentos, o tempo de escrita é limitado. Se sobreviver, amanhã dou notícias mais concretas. Desejem-me sorte, já não tenho muito mais bambu para oferecer à fera. 

Desde que a Inês chegou, que temos um pub em Berlim. Lembro-me de querermos sair, e celebrar o facto de ela ter arranjado casa, e nada melhor que celebrar com uma famosa cerveja alemã. O que eles não popularizaram foi o preço da cerveja... em todos os sítios era acima de 3€. Como nós não sabíamos de que tipo de cerveja alemã preferíamos, pagar 3€ parecia um bocadinho puxado. Já prestes a desistir da ideia, encontrámos o Sky. O pub não se chama Sky mas tem, tal como uns tantos outros, um letreiro da Sky, que significa que é um bar desportivo. O nome verdadeiro... nunca descobrimos, mas não há problema. A cerveja é baratinha (a "pequena" custa 1,50€) e o ambiente é minimamente agradável. Não é mais pelo simples facto de sermos sempre as únicas mulheres. Quando entramos é tudo a olhar. Mas pronto, eventualmente o jogo de futebol torna-se mais interessante.

Agora é sempre o nosso bar. É lá onde nos encontramos, sempre depois de jantar, e conversamos umas belas horas. Não é nada de espectacular, mas é o Sky. A nossa casa fora da casa que também não é nossa casa 

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Mãe, só foi uma!

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A comida da cantina é uma porcaria. Mas má todos os santos dias. Toda a gente escolhe a opção menos má, nunca há nada que nos satisfaça. Será que é um estratagema dos alemães para demorarmos menos tempo a almoçar? Ou será que eles não conseguem perceber a infelicidade de todos os trabalhadores?

Alemães ouçam bem a minha sugestão fantástica para resolver este problema: contratem as minhas avós como cozinheiras. Não precisam de pagar muito porque elas fazem com gosto (compram a revista Cristina a cada uma e fica feito) e é garantido que a comida é óptima, os trabalhadores comem mais, ficam mais motivados e trabalham melhor. Pode ser? Precisam de CV? Os filhos e netos dão óptimas referências!!

Voltámos ao Mauerpark porque domingo é dia de mercado... ou pensávamos nós que era. Estava tudo às moscas, havia mais pessoas fora do mercado do que dentro. Mas que diabos? Resolvemos então seguir o muro, como alternativa. Estivemos em partes em que o muro ainda está de pé, mesmo ao lado do Mauer Stadium e depois percorremos as ruas em que no chão existem as marcas do muro. Torna-se mais assustador quando nos apercebemos da dimensão do muro. Não estamos só a falar de um pedaço de betão com uma altura estúpida. Tinha fossas dos dois lados, com arame farpado e picos de metal. Para mudarmos completamente de ambiente, porque parecendo que não uma pessoa fica melancólica ao saber cada vez mais do que se passou naquela altura, fomos ao Schloss Charlottenburg. Este palácio começou por ser pensado apenas como casa de férias, mas tomou dimensões tais que se tornou um dos maiores palácios em Berlim. Visitámos o Old Palace (obrigada à recepcionista fofiiiiinha que me deu 18 anos a mim e à Inês e assim conseguimos comprar o bilhete de família e poupámos 30eu) e foi espantoso. Infelizmente, o primeiro piso do palácio ficou muito danificado depois da Segunda Guerra Mundial, e nota-se claramente. No piso de baixo tínhamos as pinturas originais dos tectos, as tapeçarias e algum mobiliário da época, e no primeiro piso "só" vimos umas pinturas e a grande vista para os jardins. Os jardins são o mais espantoso do palácio, e podem ser visitados de graça. Estes foram trabalhados pelo mesmo jardineiro que tratou dos jardins do Palácio de Versalhes e, segundo os pais da Inês, nota-se que o estilo é semelhante. Temos direito a tudo, patinhos, cisnes, relvinha boa, um lago gigante e uma vista maravilhosa com a torre do palácio. Infelizmente, não tivemos tempo para visitar os outros pontos de interesse espalhados pelo jardim (Belvedere, Mausoleum e a Nova Ala) mas fica para uma próxima oportunidade. Espero que os pais da Inês façam muito boa viagem, foi um prazer tê-los cá :) 

 

IMG_20150726_153933.jpgA entrada do palácio

 

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Vista do salão de festas. A rainha mandou colocar espelhos em todas as paredes desta sala de forma a que ela parecesse muito maior e que a luz, que vinha do jardim, enchesse a sala. Esperta.

 

IMG_20150726_170433.jpgTraseiras do Palácio

 

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E pronto lá se vai mais um fim de semana... Bora lá Segunda-Feira, sê fofinha para a Cabrita!

Os pais da Inês estão cá e a Inês anda a mostrar os pontos mais emblemáticos da cidade. Não fui com eles à ilha dos museus porque quando tiver cá visitas tenho tempo de os visitar, mas aproveitei a oportunidade e fui com eles ao Treptow Park. 

O Treptow Park é um parque gigantesco situado perto do rio Spree. Para além dos inúmeros espaços onde qualquer pessoa se pode sentar, dormir, bronzear, etc, é neste parque que se situa, para mim, o monumento mais bonito de Berlim. O Memorial da Guerra Soviética é um memorial de guerra (só para não ficarem com dúvidas) e também é um cemitério militar. Foi construído para homenagear 5000 soldados russos que morreram na batalha de Berlim. A estátua mais imponente tem 12 metros (pequeniiiiina) e representa um soldado russo, que segura uma criança e uma espada. Reza a história que o soldado usou aquela espada para destruir uma suástica. Mas porque é que será que os alemães não apreciam este memorial? Não tenho ideia... 

IMG_20150725_181301.jpgEntrada do Memorial, estas portas abriram pela primeira vez em 1949, 4 anos após o fim da guerra.

 

 

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Bandeira soviética estilizada com um soldado ajoelhado. Está ajoelhado em direcção ao central como forma de agradecimento pelo seu esforço durante a batalha.

 

IMG_20150725_181935.jpgO panorama geral do memorial. Hoje não conseguimos ir até à zona da estátua portanto tenho que lá voltar outro dia, que chatice.

 

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 Amanhã há mais passeio!!

A rotina instalou-se. Não é propriamente uma coisa má, quer dizer que finalmente já me habituei a viver cá. Todos os dias me levanto às 8, como qualquer coisa (vamos concentrarmos-nos só no facto de eu já comer qualquer coisita), visto-me e apanho o metro na Warschauer Straße. 4 estações até Halleches Tor, mais umas quantas até Leopoldplatz e depois ando cerca de 5 minutos até ao gabinete. No total levo 40 minutos desde casa, e sabe tão bem. Acho que não há nada melhor que estes 40 minutos, para lá preparam-me para o dia do trabalho, para cá posso desligar a cabeça de tudo. Comprinhas é quase dia sem dia não, e compras grandes são de semana em semana. Aqui não se fazem compras ao domingo, ai que impressão. Portanto aquele programaço  (lá vai a minha mãe dizer que eu invento palavras) de domingo de manhã de estar 3 horas no supermercado aqui é mentira. Passa a ser programaço de sábado de manhã, que tuga que é tuga tem que desfilar nas superfícies comerciais. 

Mas a rotina é uma coisa muito engraçada. Para além de ter o meu despertador também tenho a minha... digamos marcação. O meu vizinho (ou vizinha) da frente, todos os dias, e todos os dias mesmo, sai de casa às 08:42. Todos os dias. Eu ouço as chaves dele(a) olho para o meu telemóvel e são 08:42. Desde que reparei, já passaram quase 10 dias e ele(a) sai sempre à mesma hora. Vou tomar como dado adquirido que, caso ele(a) deixe de sair às 08:42, algo aconteceu e chamo logo o 112.

Isto sinceramente é uma chatice, eu gostava mesmo de ser interessante todo o santo dia. Amanhã, para apimentar isto, vou a um jardim feito pelos russos que a Alemanha nega que existe. Deve valer mesmo a pena.

Ontem falhei redondamente. Nem me apercebi que não tinha escrito um post. Meti-me na caminha e nunca mais me lembrei do assunto, até uma fã (ui estava tão chateada) ter dito que eu tinha falhado um dia sem avisar! Perdoem amigos, ontem foi um dia totalmente atípico. Foi desde vómitos a soro, mas nem vale a pena pensar mais no assunto.

 

O meu orientador foi de férias, está no bem bom em Portugal. Disse-me "Qualquer dúvida que tenhas podes sempre perguntar ao Leo". O Leo é um médico russo que percebe mais ou menos disto. Então não é que o Leo meteu férias a partir de hoje também? Oh meus amigos, como raio é que vou conseguir avançar o que seja nas próximas 2 semanas? Fim de semana, chega depressa que já não estou a aguentar olhar para estes dois ecrãs.

Esta semana que passou foi a piorzinha (em termos de comida) desde que cheguei. É que na primeira eu ainda tinha uma certa vontade de me descobrir na cozinha (tem piada, eu sei), mas quanto mais trabalho tenho no instituto, mais cansada chego a casa e menos vontade tenho de me enfiar na cozinha. Depois os alemães complicam muito o esquema.

Queridas senhoras alemãs do talho:

Quando eu lhes pergunto "Fala inglês?" não tenho como principal objectivo que digam que não e passem para o cliente seguinte. Não é por vocês não falarem inglês e eu não falar alemão que vou deixar de comer carne. Já aconteceu duas vezes eu ser atropelada pela senha seguinte porque as senhoras adoram nem tentar compreender a estrangeira. E depois, como é óbvio, eu tenho que atropelar outra senha porque continuo a querer a minha carne. Como não gosto que me apanhem à terceira hoje tirei duas senhas. INCHA SENHORA DO TALHO, HOJE NÃO PÔDE IGNORAR A ESTRANGEIRA. 

Apesar de tudo até me tenho safado. Comprei uns boiões de sopa (Avó, nunca mais digo que não a sopinha), comprei as primeiras melancias (boas boas boas) e ando à caça do peixe. Este, para os alemães, só deve existir congelado, visto que já percorri quatro superfícies comerciais e nada de uma peixaria. 

Amiguinhos alguém quer partilhar receitas mega fáceis de fazer para ver se o meu estômago começar a bater palminhas em vez de se tentar suicidar? 

 

Estendi a roupa toda na varanda, tudo direitinho, até deu gosto pensar que finalmente já começo a acertar na lavagem da roupa. Mal chego ao rés de chão (depois de descer 88 degraus) começa a chover.

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