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A Casa da Cabrita

A Casa da Cabrita

Hoje acordei com uma saudade estúpida dos avós. Não só dos quatro de verdade, mas também dos emprestados. Muitas muitas saudades. Dos que ainda cá estão, mas especialmente dos que já foram espreitar o outro lado. Dos que não posso esperar um beijinho de aniversário ou um abraço nos dias de Natal. É o avô Zé, o avô Manel, o tio Zé e a tia Ducha. São esses que olham por mim e que, de certezinha, já me safaram de algumas. E também se fartam de rir com outras. Há dias assim, em que acordamos e que as saudades mal nos deixam sair de casa. Porque podia ser que eles aparecessem, tocassem à campainha e quisessem um bocadinho de conversa. Também há muitas saudadinhas das avós que cá estão. Daquelas que felizmente ainda podem estar comigo, alimentar com coisinhas que só elas sabem fazer e dizerem sempre "olha que não estás gorda, estás bem!" (obrigada!!!!). Aquele interesse interminável pelos meus assuntos, aquele olhar experiente do "vais ver que corre tudo bem", o "só estudas, filha", o "queres ir comprar um docinho?", é disso tudo que tenho saudades. É isso tudo que, apesar de me estar a atrasar para o hospital, me vai fazer sair de casa. Porque está quase na hora de ir ter com as avós.

Um grande beijinho à avó Antónia, à avó Celeste, à avó(tia) Zé e à avó Luísa. 

Enchi-me de coragem e lá apanhei um autocarro de 7 horas (7 HORAS FECHADA NUM AUTOCARRO) para Munique. E que bom que foi. Munique é tão diferente de Berlim. Senti-me mais na Alemanha. Em Berlim, há tanta diversidade, tantas pessoas diferentes, que muitas vezes me esqueço que vivo na Alemanha. Em Munique não. Eu e a Almeida só temos que agradecer ao Tomás que nos deu chão e foi  um grande guia. 

A primeira coisinha que fizémos em Munique foi, obviamente, beber uma cerveja. Fomos à Hofbräuhaus e cada um escolheu a sua cerveja típica. Eu fui a única "menina" e escolhi uma de 0,5L mas obviamente que tirei foto com a de litro! Para quem não sabe, a Hofbräuhaus é uma cervejaria no centro de Munique onde se podem comer os pratos mais típicos e beber A cerveja. Eu sou um bocado leiga no que toca a cervejas, mas que era boa, era.

No dia seguinte fomos ao OlympiaPark, à MarienPlatz, passámos pelos Pinakotheks, visitámos a TUM e acabámos o dia a cozinhar (bem, eu supervisionei) Bacalhau à Brás para os amigos tugas do Tomás. Conheci também duas raparigas brasileiras muito queridas, e nunca vou esquecer os seus ensinamentos. Boy magia e rolé, é o que a gente quer!

Domingo foi dia de correr até àMarienPlatz para apanhar o toque dos sinos e todo o espectáculo à volta. Aproveitámos também o desconto de estudante e subimos à Torre daPeterskirche para ter uma vistaliiinda sobre Munique. Lindo, lindo, daquelas coisas que só vendo!

Seguiu-se o Englischgarten, que se tornou rapidamente num dos parques mais bonitos que visitei (e eu sou louca por parques, não é fácil convencer-me). Tudo é lindo, o Monopteros (ou Balotelli para os amigos), a Chinesischen Turm, o lago gigante... Voltava lá todos os dias! De ferro são os malucos que se metem a fazer surf numa espécie de onda falsa, que se forma lá num dos lagos. Estavam 0 graus e eles enfiados dentro de água, como se não fosse nada. Eu é que não trocava o meu casaquito de penas por nada!

Foi um fim de semana brutal, obrigada Tomás e Inês! Precisava mesmo muito de estar com pessoas que me conhecem bem e que alinham nas coisas mais parvas. Até Dezembro, amigos!

 

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Foi apostado um jantar. A Andreia é do Porto e a Leonor do Benfica. A pessoa cuja equipa não ganhasse o jogo teria que fazer o jantar aos outros. Perderam as duas . Eu cá gosto destas apostas, ganho sempre!! Elas oferecem o jantar, mas achei por bem oferecer a única coisa que sei fazer com alguma qualidade: sobremesa, mais precisamente brigadeiros. 

Não há nada que enganar, leite condensado, chocolate em pó e manteiga. Tudo numa panela, misturar até começar a despegar do fundo do tacho, reservar e depois fazer as bolinhas. Simples, simples, simples. Mas estou na Alemanha.

Isto começou logo mal no supermercado. Os alemães não têm o leite condensado que eu conheço. Têm um muito mais líquido, quase como nata, que colocam no café. Mas eu não sabia disso. E lá comprei duas latas de "leite condensado".

Estava eu toda preparada para cozinhar quando reparo que as latas não têm abertura fácil. Toca a ir ao Tio Google e ver maneiras de abrir latas sem qualquer ferramenta. Há muitas técnicas. Vi um vídeo de um indiano a abrir uma lata com uma colher. Devia ter uma força de outro mundo porque com colher não fui lá. Depois vi um senhor a esfregar a lata no chão para desgastar o metal. Pois, os meus vizinhos não iriam achar piada à coisa. Finalmente vi uma senhora a dar pancadas com um canivete para furar a lata. Foi o que fiz. 20 minutos de luta depois, fiz um buraco mínimo na lata. Mas era o suficiente para me aperceber que comprei uma porcaria qualquer, que não leite condensado. Provei, sabia a leite doce. Hoje no hospital disseram-me que era o tal leite mais docinho para meter no café. Raios parta.

Escusado será dizer que, mesmo sabendo que não era leite condensado, tentei fazer a receita de brigadeiro completa. Podia ser que desse, não é verdade?

Mais valia ter estado quieta. Não sabia que se podia estragar chocolate.

Alemanha 2-0 Rita. Mas isto não fica assim. 

 

Isto tem sido um bocadito de loucos. Já comecei a trabalhar mais a sério no meu projecto, o que faz com que chegue a casa cansada. Preparo o jantar, falo no Skype com algumas pessoas, vejo uma série e vou dormir que amanhã há mais. Felizmente, desde que a questão dos bed bugs ficou resolvida, não tenho nada de especial para aqui relatar. 

A Iara já chegou e já se instalou na outra residência. Passámos uma manhã/tarde muito boa a visitar os monumentos principais de Berlim. É que eu não me farto mesmo desta cidade. E espero que ela se dê bem! É que, como ela diz, isto é muito diferente da sua Londres.

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O frio já começa a apertar cada vez mais. Longe vão os tempos em que me queixava dos 10ºC, agora já me queixo dos 0ºC. Está tanto frio. Já não posso andar sem luvas ou sem cachecol. Gorro é a única coisa que ainda não sinto necessidade, mas é só começar a never! Já percebi que vou ter que comprar outro casaco, e definitivamente umas leggings para vestir debaixo das calças. Quando vou para o hospital, só passo cerca de 10 minutos na rua, mas já é o suficiente para ficar com as pernas e cara doridas do frio. E isto é só uma amostra, segundo os meus colegas. Ai que bom...

Mas chegar o Inverno, significa também chegar o Natal! Melhor altura do ano!!! E a cidade já está a ficar tão bonita. Os mercados de Natal abrem este fim de semana, mas para mim vão ficar para o outro. É que Sexta vou em direcção a Munique, wohoooooo! Tomás e Almeida, preparem-se para um fim de semana brutal (e cheio de neve, já estou a ver).

E o que me faz impressão é já estarmos em Novembro. O tempo está a tentar bater o record do Bolt, só pode.