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A Casa da Cabrita

A Casa da Cabrita

Janeiro não só começou na melhor companhia, como me trouxe a melhor visita. Este ano começou em grande, espero não ter já gasto os cartuchos todos. Veio a Tânia. A Tânia. E para quem não conhece a Tânia, vou tentar explicar o porquê da visita dela ser tão importante para mim:

 - Já ouvi várias piadas, contadas por homens, onde basicamente definem que o melhor amigo é aquele que faz com que a tua família questione a tua sexualidade. Se houvessem dúvidas, pela quantidade de vezes em que digo "Fico em casa da Tânia", certamente esta nossa relação não ajudaria a minha família a perceber;

- Há coisas que só nos sentimos confortáveis a discutir com X pessoa. Há outras que achamos melhor ser a Y a opinar. Quando vou às compras, não há ninguém em quem confie mais que a minha mãe. A Tânia tem a capacidade de ser X, Y e, com algum jeitinho, minha mãe. Ela é assim tão espectacular;

- Há dias em que não estamos para ninguém. Errado: de alguma maneira eu encontro sempre maneira de estar lá para ela e ela para mim. E até parece que adivinha, raio da moça que tem sempre comida à mão quando é preciso.

Pronto, acho que já consegui passar a ideia de que gosto mesmo dela. 

A Tânia nunca tinha estado em Berlim portanto em dois dias e meio não inventámos muito. Fomos aos sítios de sempre e a minha teoria confirmou-se: Berlim é uma cidade mesmo bonita. Quando moramos numa cidade bonita e passamos a ter contacto com ela diariamente, temos a tendência para desvalorizar. E é por isso que gosto de ter visitas. Vê-los a ver tudo pela primeira vez, contar os meus factos interessantes e relembrar o porquê de eu gostar tanto desta cidade. 

Tivemos o bónus de apanhar muita neve, parece que a cidade fica outra. Obviamente que eu levei as coisas para o disparate e quem sofreu foi ela. Mas mesmo assim tenho a impressão que ela até gostou de ter cá estado.

 

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Para os lados de Setembro desafiei a Tatiana a vir passar o ano em Berlim. Tecnicamente foi um desafio mútuo. Depois dela, foi convencer o Filipe. Queríamos mais pessoas, mas a passagem de ano é sempre aquela altura em que há muitos planos, muitos amigos a quererem ir a muito sítio, e fica complicado de gerir a escolha. Ninguém fica ofendido, amigo não empata amigo, portanto embarcámos os 3 rumo a Berlim. E foram 4 dias para nos despedirmos de 2016 em bom. Fizemos a rota turística habitual, que é a que aconselho a todas as pessoas que cá aparecem: AlexanderPlatz, BerlinerDom, Gendarmenmarkt (onde ainda apanhámos o mercado de Natal e comemos salsicha alemã), CheckPoint Charlie, Memorial aos Judeus Mortos na Europa, Brandenburger Tor e Reichtag. No segundo dia fomos a sítios menos conhecidos, mas igualmente obrigatórios: o sempre favorito Treptower Park, Zoologischer Garten e East Side Gallery. 

No último dia do ano, decidimos ir ao campo de concentração Sachsenhausen, que fica a cerca de 30km de Berlim. Não é fácil lidar com aquilo. Eu não quero dizer que adorei, por acho que cai mal. Mas gosto muito que se fale no assunto, que não se tente fingir que não aconteceu. Acho que o pior foi o nosso sofrimento com o frio que estava. Nós, que tinhamos casacos, gorros, luvas e cachecóis. 

Não começámos o último dia do ano da maneira mais feliz do mundo. Mas decidimos acabar como tal. Entre ir passar o ano numa discoteca ou tentar passar no Brandenburger Tor, fomos tentar a nossa sorte naquele que é O sítio em Berlim. Como seria de esperar, não fomos os únicos a pensar no assunto e acabámos por passar o ano a cerca de 25m do monumento. Sem problema, a companhia foi a melhor e esta passagem de ano será sempre relembrada como a melhor e a mais aleatória que já tive (ênfase no aleatório). 

No primeiro dia do ano foi dia de lhes dizer adeus. Custou um bocadinho. O custar ficou encobrido com a  felicidade de ir ver os meus primos e o Manuel, mas ao final do dia doeu um bocadito. Estava de volta ao meu apartamento, sem os dois estarolas que durante os últimos 4 anos aturaram muito mais do que deviam (eu também os aturei, nao há cá santos nenhuns). Eles voltaram cada um para o seu sítio e eu fiquei cá. Os 3 sozinhos na conquista do ainda-não-sabemos-bem. Acho que chegou um momento em que todos quisémos dizer "Se ficarmos aqui fechados aposto que ninguém nos chateia durante algum tempo".  Sou mesmo uma sortuda por ter pessoas tão boas na minha vida, por ser tão difícil de me despedir delas. Mas, como lhes disse, ter saudades é bom, quer dizer que vamos fazer tudo e mais alguma coisa para estarmos novamente juntos! Quanto mais tempo passa de qualquer coisa que nos acontece, a nossa memória tende a lembrar-se só daquelas coisas espectaculares que aconteceram. Eu ainda me lembro de praticamente tudo destes 4 dias, mas o que nunca me vou esquecer é do sorriso constante (e de termos ido ao McDonalds 3 vezes). 

 

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Voltem sempre (onde seja que eu venha a estar)  

 

 

 

 

O Natal é sempre aquele momento agri-doce. Por um lado é uma boa desculpa para juntar a famelga, por outro também é uma desculpa para nos lembrarmos de quem já não está cá. Eu gosto muito do Natal, gosto muito de comer tudo a que tenho direito (eu gosto sempre de comer tudo a que tenho direito, mas no Natal não me sinto tão culpada), gosto de saber as novidades de toda a gente e gosto daquele momento nostálgico em que, de alguma forma, acabamos todos à volta dos álbuns de fotografias. 

Agora que também já há membros novos da família, o Natal passou a ter mais vida. Na hora de abrir os presentes já está toda a gente a olhar para o Manuel e para o António, tentar apanhar o sorrisinho maroto, ver a reacção quando abrem cada prenda, vê-los brincar com os brinquedos novos como se não houvesse amanha.

 

O Natal fez-me querer pegar nas tralhas todas, fechar-me em Portugal e nunca mais sair. Ficar ali, no quentinho da lareira e da braseira. Mas também me fez querer voltar, afinal tenho a melhor família do mundo que vai estar sempre lá à minha espera (com bacalhau, suspiros e mousse de chocolate, já agora).

 

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Há 15 anos atrás já eramos uns santinhos... uns santinhos.

 

 

 

 

18 dias em 2017 e comecei a achar vergonhoso não meter aqui os pés. Como tive um trabalho para entregar (daqueles chatinhos todos os dias), e que implicava muita escrita, a ultima coisa que me apetecia fazer no final do dia era, pois claro, escrever. Mas cá estou, sempre igual a mim mesma: Ano Novo, Rita Velha. 

No final de cada ano gosto de fazer uma reflexão sobre o ano que está a terminar. Gosto de a fazer assim antes do Natal ou, se estiver mesmo aborrecida da vida, fazer na altura do meu aniversário. E esta reflexão serve para me relembrar das coisas boas que acontecerem (visto que sou uma daquelas que tende a só lembrar do mau. Do género, falho uma pergunta num teste e já vou chumbar à cadeira). O ponto mais importante da lista foi claramente o primeiro:

  • Nem eu, nem nenhum dos meus familiares/amigos próximos teve um problema de saúde grave. Estamos cá todos. Uns mais velhos, outros mais coxos, mas estamos cá todos. 

E este também é o ponto que eu espero que se mantenha em 2017, 2018, 2019, 3145, e por aí adiante. 

Agora saltam todos da cadeirinha e interrogam "Oh Rita mas e a ida a Portugal? E o Natal? E a passagem de ano? Não tiveste visitas?". Ora pois bem, vamos fazer render o peixe nesta casa! Amanhã há mais.