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A Casa da Cabrita

A Casa da Cabrita

Depois de toda uma aventura para conseguir arranjar voo para Estocolmo (ver aqui), finalmente estava dentro do avião. O avião nem ia lotado. Eu ia à janela, o lugar do meio estava livre e havia um senhor no lugar do corredor. Estava bastante ensonada, com um episódio de “Grace and Frankie” à minha frente e prontíssima para um voo de 1h30.

A meio da viagem, as hospedeiras começaram a oferecer bebidas. Eu, que até ando a tentar reduzir os refrigerantes (nos dias de hoje, fica sempre bem deixar a dica que tento ser fit), achei que merecia um miminho, tendo em conta o stress do dia anterior, e pedi uma cola. O senhor do corredor pediu café. Eu recebi a minha cola primeiro. No exacto instante em que a hospedeira dá o café ao senhor e em que eu ia dar um primeiro golo muito desejado, há todo um espectáculo de turbulência, e 10 segundos passaram a ser 3 anos, tamanha quantidade de eventos. Em câmara muito lenta, a hospedeira caiu desamparada no corredor, o senhor conseguiu despejar o café na barriga e virilha e eu... bem, eu ajudei e despejei a minha cola em cima do senhor. Internamente, o pânico instalou-se. Eu não me podia rir, eu não podia mesmo rir! Pensar em cãezinhos mortos, cobras nos meus pés, a crise portuguesa, Benfica a ganhar o campeonato! E este diálogo, algo que eu achei que nunca iria ouvir, muito menos num avião, aconteceu mesmo ali, debaixo do meu nariz:

 

(Hospedeira, a partir do chão): “Tire as calças, tire as calças, vai queimar! Senhor, tem que tirar as calças!”

(Senhor visivelmente aflito): “Ai, ai que ‘tá quente. Mas não vou tirar as calças!”

(Hospedeira ainda a partir do chão, coitadinha ninguém a ajudava): “Tire as calças, tire! Vai queimar!”

Eu: “Posso ajudá-lo?”

 

Se calhar a minha intervenção não foi a melhor. E, muito provavelmente, a minha boa intenção pode ter sido levada por outros caminhos. Acabou com o senhor a não tirar as calcas (mas abriu a camisa, upa upa).

Lição a retirar: refrigerantes só fazem mal. Se não à pessoa que o bebe, muito provavelmente ao vizinho do lado.